NOVA GERAÇÃO DE

ADITIVOS TRANSFORMA A NUTRIÇÃO ANIMAL

A produção animal brasileira opera em escala que poucos países alcançam. O Brasil figura entre os maiores produtores globais de carne bovina, de frango e de suínos, além de sustentar um dos maiores plantéis de animais de companhia do mundo.
Essa dimensão produtiva eleva o nível de exigência técnica. Neste cenário, manter a competitividade passa a depender não apenas de genética ou manejo, mas da evolução contínua da nutrição ao longo da cadeia.
De acordo com estimativa do Sindirações, o segmento de nutrição animal registrou crescimento de 2,2% em 2025, atingindo 43,4 milhões de toneladas de rações e concentrados.
O dado sinaliza mais do que expansão de volume: indica uma mudança no modo como a indústria formula, processa e entrega nutrição, com maior grau de precisão e controle sobre os resultados produtivos.

Da ração à fisiologia: o papel dos aditivos funcionais
A nova geração de aditivos amplia o alcance da nutrição para além da composição básica das formulações, deslocando o foco do simples fornecimento de nutrientes para a atuação direta sobre mecanismos fisiológicos específicos.
Probióticos, prebióticos, simbióticos e pós-bióticos passam a integrar estratégias voltadas à modulação da microbiota intestinal, ao suporte imunológico e à redução do uso de antibióticos como promotores de crescimento, consolidando uma abordagem mais funcional dentro das formulações.
Essa transição acompanha pressões regulatórias e exigências dos mercados importadores, que demandam alternativas capazes de sustentar níveis produtivos elevados com menor dependência de aditivos convencionais, ampliando o grau de complexidade técnica envolvido na formulação.
Nesse ambiente, o portfólio de soluções se diversifica e passa a operar de forma mais integrada, com enzimas exógenas, ácidos orgânicos, óleos essenciais e aminoácidos funcionais atuando de maneira complementar, conforme espécie, fase produtiva e condições sanitárias.

Microencapsulação e entrega controlada de ativos
Dentro desse avanço técnico, a microencapsulação se consolida como uma das principais tecnologias aplicadas à nutrição de precisão, atuando na proteção e na liberação controlada de compostos bioativos.
O processo preserva ingredientes sensíveis, como probióticos e vitaminas, durante etapas industriais como peletização e extrusão, garantindo maior estabilidade até o trato gastrointestinal.

Estudos adaptados da Poultry World (2026) indicam melhorias significativas na sobrevivência de probióticos durante a peletização quando associadas à microencapsulação, com reflexos diretos sobre desempenho produtivo e bem-estar animal. A tecnologia, anteriormente concentrada na indústria farmacêutica, passa a integrar operações industriais no segmento de nutrição animal.
Essa abordagem já se reflete em investimentos concretos no Brasil. A Archer-Daniels-Midland (ADM), uma das maiores empresas globais de nutrição animal, inaugurou em 2025 uma fábrica em Apucarana (PR) com capacidade instalada de 40 mil toneladas por ano, estruturada com sistemas de controle de dosagem, mitigação de contaminação cruzada e rastreabilidade.

Dados e precisão na formulação nutricional
No avanço recente da nutrição de precisão, a incorporação de ferramentas analíticas passa a assumir papel central no processo de formulação. Plataformas como o AminoNIR, desenvolvido pela Evonik, permitem análise em tempo real da composição de matérias-primas, reduzindo a dependência de estimativas e ampliando a consistência das dietas formuladas.
Esse modelo amplia o nível de precisão das matrizes nutricionais, com impacto direto sobre custo, desempenho e previsibilidade dos resultados zootécnicos. A nutrição passa a responder a parâmetros dinâmicos, considerando variáveis como fase produtiva, condição fisiológica e ambiente de criação. Esse avanço redefine não apenas a formulação, mas a lógica de eficiência ao longo da cadeia produtiva.

Reconfiguração técnica e econômica da cadeia produtiva
A adoção de aditivos de alta precisão altera a lógica de eficiência na produção animal. A aplicação direcionada desses insumos contribui para redução de perdas, melhor aproveitamento dos nutrientes e menor necessidade de intervenções medicamentosas.
Ao mesmo tempo, a evolução da nutrição responde a exigências relacionadas à rastreabilidade, sustentabilidade e redução de impacto ambiental. Estratégias voltadas à modulação da microbiota ruminal, por exemplo, têm sido associadas à redução de emissões de metano, conectando desempenho produtivo a metas ambientais.
O que se desenha é um setor em que nutrição, biotecnologia e análise de dados operam de forma integrada, e a formulação deixa de ser apenas uma etapa técnica isolada para assumir papel estratégico na eficiência e na competitividade da cadeia produtiva.

Por: Alessandra Giovana